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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A Apple e suas revoluções

Todos os anos acontecem nos Estados Unidos dois dos principais eventos de informática e entretenimento eletrônico do mundo. Em Las Vegas acontece a mega feira de produtos CES (Consumer Eletronics Show), apresentando as novas tecnologias e tendências em informática e eletrônicos de consumo. Vídeo, audio, games e computadores são as estrelas do evento e os grandes lançamentos são feitos lá. Logo em seguida acontece em São Francisco a Macworld, o nirvana dos macmaníacos. O evento exclusivo da Apple onde acontecem lançamentos espetaculares e os viciados em seus produtos adoram a marca. Steve Jobs não perde o fôlego e a Apple não pára mais de ser notícia. Ao contrário da CES 2008 que foi mal comentada por muitos, sem novidades de peso, disputas ou grandes inovações, a Macworld vem atraindo cada vez mais a atenção e cobertura jornalística dos entusiastas da tecnologia, não só dos entusiastas mas também de gente que joga alto. Na edição de 2008 a Apple mais uma vez mostrou produtos exclusivos que a maioria das empresas depois vão copiar. Steve Jobs parece determinado como em uma cruzada para recuperar a liderança da sua empresa frente aos outros gigantes que sempre foram uma pedra no seu sapato. Como disse seu parceiro desde o início, Steve Wozniak, em "Triumph of Nerds" documentário da PBS que todo mundo devia assistir "...o Steve (Jobs) não é uma pessoa comum como eu ou você, tudo para ele é sempre algo que está entre uma experiência espiritual e uma cruzada..." convenhamos, os caras vão fundo na coisa.

Não é só o fôlego e a determinação de sempre propor coisas novas, mas a coragem de ir lá e fazer acontecer! A Apple não acompanha os movimentos do mercado, ela interfere na história e lança produtos que sacodem as regras do jogo. Hoje, está claro para a Apple que o mundo não usa mais cabos. Foram lançados na Macworld dois produtos que mostram bem isso. Acreditam tanto nesse caminho que o novo notebook da marca nem vem mais com a porta para o cabo de rede. Até o drive de cd é "Wifi". Diante de uma platéia de macmaníacos mais que empolgada, Steve Jobs apresentou o MacBook Air, o portátil mais fino do mundo, com tecnologia multi-touch igual a do iPhone, teclado iluminado que se acende quando fica escuro, e capacidade de expansão do HD para mais 64GB simplesmente adicionando uma placa de memória. Não tem drive óptico, você pode usar de outro computador que esteja na mesma rede sem fio que você. A bateria da "maquininha" dura 5 horas, para mim o critério mais importante. Vem também com o MacOS X Leopard que dispensa comentários. Olhando mais de perto, dá pra ver que a Apple aposta em um novo conceito para os notebooks e não em um super hiper ultra hardware. Em termos de potência o novo portátil não acrescenta muita coisa em relação ao que já existe por aí, o pulo do gato está na "usabilidade" do computador. É muito leve e fino, então cabe em qualquer lugar. Sua bateria dura várias horas, ainda mais se todos os mecanismos de economia de energia forem utilizados. Seu novo touch pad vem com recursos de acionamento e navegação derivados do iPhone. Um portátil que não deixa você na mão quando é hora de navegar na rede ou trabalhar pra valer compartilhando e trocando informações.
A Apple é ousada, essa é a palavra. Ousadia que coloca em nossas mãos antes dos outros aquilo que sonhamos e podemos desfrutar. Tecnologia para quem procura o novo e não tem medo de experimentar novas possibilidades. Possibilidades caras, não sejamos bobos, mas tem que valer a pena, extrapolar limites, aventurar-se...

O outro produto de impacto lançado na feira este ano foi a "Time Capsule". Juntaram o ponto de acesso Wifi 802.11n Airport Extreme com um HD de 500GB ou 1TB e criaram então um dispositivo de backup que funciona sem fios e de quebra tem porta USB 2.0 para compartilhar uma impressora. Vem também com portas ethernet adicionais para você plugar mais máquinas através de cabos, quem sabe um servidor de dados, seja ele PC ou Mac. Dá pra resolver o problema de um escritório de pequeno ou médio porte, quem sabe até de uma empresa inteira, juntando poucos aparelhos. Imagine que a Time Capsule resolva a questão da rede sem fios e do backup, daí Macbooks e Estações iMac resolvam o hardware. Aplicações Web desenvolvidas em Ruby on Rails ou J2EE resolvam o software. As coisas ficaram mais simples e práticas para quem precisa fazer isso tudo funcionar, não é galera do suporte?

Fico sentindo a falta de uma solução da Apple para o mercado corporativo. Quem sabe uma Workstation nos moldes do Macbook Air, sem CD ou DVD, somente WiFi e que acesse tudo via aplicações web. Algo comparado (de longe) com a solução Sun Ray da Sun Microsystems. Acredito que a Apple tem condições de abalar o mercado caso lance algo assim voltado para o seguimento corporativo. Seria fantástico contar com a estabilidade e facilidade de uso do MacOS X e a robustez do hardware da Apple no trabalho. Mas a Apple que me desculpe, se a proposta dela se resume ao iMac então sem chance! Simplesmente porque a máquina custa um nota preta, apesar de maravilhosa. Empresas definitivamente não pensam como pessoas, Homus Sapiens e Homu Econômicus são classes totalmente distintas nesse "plano existencial", aprendam isso de uma vez por todas! Enquanto não pararem de produzir somente coisas para as pessoas e não pensarem nas necessidades das empresas jamais vão conquistar o mundo corporativo e estarão fadados aos nichos que já dominam...