Várias coisas me impressionam pela velocidade que surgem, desenvolvem-se e mudam nossas vidas para valer. Olhe ao redor! Redes sem fio por toda a parte, TV digital, celulares cada vez mais potentes nos bolsos de uma infinidade de pessoas capturando imagem, música e vídeo. Agora não nos perdemos mais dos amigos e parentes tão facilmente como antes graças às redes sociais e às comunidades on-line. Tudo isso para o ser humano comunicar seu trabalho, seus valores, seus amores, sua vida! No ano de 2007 assistimos a uma mudança gradativa em que as pessoas começaram a perceber a falta que isso faz e agora procuram uma maneira de estarem conectadas por mais tempo, carregar tudo isso consigo, exibir e compartilhar o que produzem e gostam. A Vida Digital pede passagem e surpreendentemente nossas vidas fluem com os bits e bytes transmitidos pelo ar. A maioria dos serviços ao cidadão já estão na Internet e um volume ainda mais assustador de informações sobre cada um de nós também. Tudo é assustador, concordo, mas certa vez ouvi algo que me fez pensar em como a tecnologia transforma nossa sociedade. Você já parou para imaginar o quanto foi assustador para nossos bisavós quando surgiu o rádio?? Naquele momento o quão impressionante foi para eles escutarem a voz de uma pessoa a quilômetros de distância dali e que viajou pelo ar sabe Deus como até os seus ouvidos! "...minha nossa! Quer dizer que agora nunca mais estaremos realmente sozinhos e isolados em algum lugar distante, longe de tudo?? Espere aí um pouco! Então não existe mais nenhum lugar distante ! ..."
Agora chegou a vez de as novas gerações encararem sua Tsunami! Foi anunciado no final do ano (2007) que a praia de Copacabana no Rio de Janeiro em breve terá rede WiFi livre em toda sua extensão e que o projeto vai expandir-se para toda a orla marítima da cidade em 2008. Nada de novo nisso, afinal várias cidades interioranas em todo o país já tem, por iniciativa própria, suas redes WiFi funcionando e levando acesso grátis para a população fazem algum tempo. Incrível nesse caso é o número de pessoas que serão atingidas pela tecnologia. Sair de férias, tirar as fotos e colocar no Orkut ou no Blog agora é "dois palitos". A meros três anos atrás, um tempo que a gente enxerga fácil olhando por cima dos ombros, era uma dificuldade encontrar lugar no hotel para conectar seu PC e acessar o trabalho e a nossa casa. Agora se o hotel não tiver WiFi disponível nos quartos os hóspedes reclamam. Segundo o Ministério das Comunicações, a meta é que a Internet rápida alcance todos os municípios do Brasil até o fim de 2010. Cronograma apertado, mas se for concluído no prazo vai iniciar uma revolução sem precedentes em nosso país desde a época de JK.
Imagine que agora ninguém mais domina o conhecimento. Que as crianças vão consultar antes a Wikipedia e o Google sobre as coisas ao invés de perguntarem a seus pais e avós. Vão descobrir o que querem sozinhas e talvez saber até mais que seus pais e avós. Irão pelo caminho mais fácil muitas vezes porque seus pais e avós não tem tempo ou paciência de explicar, ou mesmo porque eles não estão "atualizados" o suficiente para proporcionar novos conhecimentos aos seus rebentos. Ou pior ainda, porque seus pais e avós censuraram as respostas por considerarem as perguntas "cabeludas de mais". Não há mais como impedir que as pessoas descubram e aprendem sobre tudo que quiserem, que contem para todo o mundo (literalmente) o que descobriram ou criaram. A informação ganhou asas e o conhecimento pegou carona.
Esse tema é recorrente em tecnologia. Já conversei sobre o assunto com muitas pessoas que tem idéias bem interessantes e pontos de vistas bem diferentes também. Sempre acompanhados de uma boa cervejinha e um tira-gosto porque ninguém é de ferro né, dá licença! Pessoas cultas, de mente aberta, que aprenderam tudo que usam para viver com a família, a escola, os livros e principalmente com suas experiências. Chegamos a um consenso de que, descobrir as coisas sozinho não é mais problema, mas dar sentido à elas sozinho é mais difícil. Aqui entra a vivência, o know-how (importei), o traqueijo, e a percepção dessas coisas que só tem quem "está cansado de apanhar". Ou seja, a família e os mestres tem agora um papel ainda mais importante e fundamental diante da revolução digital. Dar sentido ao que as crianças e jovens descobrem.Mas existe algo que vai além de tudo isso, é a "Consciência Coletiva". Uma massa amorfa que se manifesta na troca de opiniões e conhecimentos livremente entre as pessoas pela Internet. A democracia da colaboração. Onde se formam idéias, conceitos e infelizmente também preconceitos, afinal, alguns preferem remover à força aquilo que não concordam ao invés de proporem algo novo e melhor que supere a distância entre o consenso geral e aquilo que é crença particular. Cada um interpreta o mundo de um jeito. Agora você questiona e diz o que pensa a respeito daquilo que descobre. Cada um de nós transforma o conhecimento acrescentando linhas e percepções ao texto, aprimorando conceitos, apresentando novas aplicações e deixando novas perguntas no ar como uma porta sempre aberta para o novo. O mais importante são as perguntas, não as respostas.
A resposta do mercado de computadores para toda essa aventura foram os notebooks e PDA's com Wifi. Em 2007 todas as grandes marcas mundiais lançaram seus modelos no Brasil e América Latina. Empresas nacionais também entenderam o recado e inundaram as lojas com modelos para todos os gostos e bolsos. Foi o ano da virada! Essas "maquininhas" mudaram a rotina e o "modus operandi" de muita gente. Assistimos a aparição dos portáteis nas praças de alimentação dos shoppings, bibliotecas, aeroportos, faculdades e cybercafés em toda a parte. A expansão rápida das redes sem fio abre caminho para que a Internet torne-se algo como a energia elétrica, você aperta o botão e a luz acende. Você não tem mais a noção exata de onde vem, mas está ali ao alcance "dos dedos".
Em 2007 houve outro lançamento de produto que chamou a atenção de todos para algo que o futuro começa a desenhar em nossas mentes. O iPhone da Apple. Inovador pela interface e pela maneira de operar usando apenas a tela touch-screen. Fiquei entusiasmado com o iPhone mais pelas possibilidades que ele sugere do que pelo dispositivo em si, apesar de o aparelho ser realmente incrível. A Apple sempre saiu na frente quando o assunto é inovação. A empresa de Mr. Jobs arrasou de novo e mostrou ao mundo mais uma vez como se faz. Quando conheci o iPhone eu logo comecei a imaginar o que viria a partir daquilo. As possibilidades que a tecnologia touch-screen oferece são muitas e todas elas fantásticas. Imagino a partir de agora a presença cada vez maior de computadores onde digitamos dados e operamos a máquina por interação direta, na tela ou na mesa. Fiquei sonhando durante algum tempo com um iMac com tela 24" totalmente touch-screen igual ao iPhone. Um computador sem teclado ou mouse com tela grande onde um teclado virtual pode surgir na tela sempre que preciso. Nele, meus dedos clicam e arrastam objetos e ícones na tela. Seria algo como uma prancheta ou painel inclinado mais confortável de usar e assistir. Quem sabe um painel LCD colocado sobre a mesa como uma bandeja e operado somente com os dedos. Uau! E não é que já está pronto! Uma empresa americana que produz telas touch-screen já adaptou um iMac assim, veja no vídeo como ficou.
Porém, a questão do teclado ainda fica mal resolvida. Digitar na tela "em pé" em um teclado virtual? Sem chance! Seria insuportável trabalhar com as mãos tão alto por muito tempo. Que tal então um teclado que é projetado na mesa pelo gabinete como uma imagem e que reconhece quais teclas estou acionando? Esse teclado a laser também existe e está disponível por algo entre R$500 e R$1000. Preço bem salgado convenhamos, mas resolve o problema de quem precisa ter um teclado sempre "à mão" em qualquer lugar. Existem dois modelos, um com fio e outro Bluetooth. Parece que digitar com ele não é muito confortável no início, mas depois que o usuário se acostuma não percebe mais a diferença. O dispositivo vem ganhando adeptos em todo mundo e impressiona quem o conhece pela primeira vez. A idéia original é a de um teclado ultra compacto para trabalhar com celulares e PDA's, mas imaginem um desktop que tenha um teclado desses incorporado? Seria muito legal e elegante!
Mas quem surpreendeu a todos no último ano foi sem dúvida a gigante Microsoft. Foi dela a mais impressionante demonstração de como o futuro dos computadores caminha para a ponta dos dedos quando anunciou ainda no primeiro semestre de 2007 o seu incrível computador Surface. Surpreendente porque, cá entre nós, não temos lido com muita frequência o nome da empresa na seção inovação nos últimos anos. Mas o Surface é um fantástico computador desktable em forma de mesa, sem teclado nem mouse, operado totalmente pelo toque das mãos. Não é só a interface com o usuário que impressiona, mas também a sua conectividade com outros dispositivos como câmeras digitais, celulares, tocadores de mp3, GPS e etc. Realmente uma visão impressionante do futuro. A Microsoft vê grandes possibilidades para a máquina em bares, hotéis, aeroportos e em outras áreas onde o público procura interagir com a informação. Em uma demonstração de suas capacidades, o vídeo abaixo mostra o Surface servindo de mesa onde os consumidores acessam um cardápio, escolhem os itens, arrastam para cima do pedido e então são atendidos pelo garçom. Fantástico também como fica fácil manipular arquivos de mídia e transferí-los entre os dispositivos conectados à ele. Tudo sem fio, graças ao Bluetooth e ao Wifi. Uma vez que tudo esteja configurado e funcionando, parece mágica!
Eu quero um! Mas só daqui a alguns anos quando o preço cair. Hoje o brinquedo não sai por menos de U$5.000! Ahh! E eu quero o meu com Linux, Vista nem pensar!

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